jueves, 21 de junio de 2012

Poema

"És tu, uma..."
Habitante do mundo das cores vivas,
onde o brilho resplandece do seu
desenhado sorriso.

No óleo o encanto que ata o olhar,
Prende a atenção, domina o coração,
e desata a loucura.

Bruxa das misturas belas,
Fada de feitiços mil,
Princesa do castelo do amor!

O universo agradece, pois a alegria
que emanas tu, reverbera em cada molécula,
favorece o florescer, facilita o desabrochar.

Siga e te seguiremos!
Venha a nós o reino da tua felicidade!
Seja feita a tua vontade de criar,
Assim no ateliê como no céu,
Ame...

Cada vez mais!

jueves, 15 de marzo de 2012

A diretora do museu

A Diretora Do Museu
Nas indas e vindas de Zé Inácio sempre estavam o botequim de fim de semana, o futebol com os amigos e o trabalho duro durante a semana. Como fisioterapeuta, seu assunto era de ossos, nervos, músculos, estrutura corporal, essas coisas técnicas que para ele era pura diversão, mas isso não atraía nenhuma graciosa mulher na sua cidade.
A solteirice já lhe pesava nas costas, vivia de aluguel, mas era como se fosse sua casa, tinha seu carro popular, não um Wolkswagen, mas o levava para todo lado e quase não dava manutenção, já passava dos trinta e a mãe pedindo um neto. Na verdade o que não agradava Zé Inácio era chegar a casa à noite e deparar-se com a televisão, alguma rede social na internet, do que não era muito fã e coisas de trabalho levado para o lar; o histórico de algum cliente com problemas raros e pouco mais. Ele gostava de conversar, de jogar papo para o ar com os amigos, mas lhe faltava aquela “amiga” do cafuné e do carinho...
Não aceitando essa situação ele tratava de flertar com as moçoilas da cidade, acudia a bares badalados, festas noturnas e eventos sociais. Foi em um barzinho, desses com música ao vivo, que ele avistou Alícia, com três amigas, pedindo canções de Noel Rosa para cantor da ocasião: Elas riam e se divertiam, mas os olhos de Zé Inácio não saiam da tez branca e suave daquela mulher, devia haver “trintado” também, usava uns óculos modernos de armações finas e por trás uns olhos verdes que eram de feitiçaria, boca fina como era do seu gosto, cabelo curto e dentes branquinhos no sorriso fácil. Ele estava ali sentado com Maurício, seu companheiro de bar e futebol, quando rolou um samba antigo. Zé rompeu o silêncio e comentou:
- Gostei mesmo daquela ali, na mesa das três gatinhas.
- Qual?
- A de vestido preto e cabelo curto (Zé Inácio adorava um pretinho básico)
- A de óculos?
- Ela mesma.
- A Alícia! Que diferença de gostos que temos...
- Você conhece! Hum... Vamos falar de negócios – Era uma piada comum de Zé.
- Eu não suporto essa mina, metida a intelectual, só fala de Paris, Arte Moderna, Impressionismo, não me impressiona em nada.
- Pois a mim sim.
- Ela é a diretora do museu, aquele que você nunca foi! - Retrucou Maurício com pouca vontade de seguir no assunto.
Foi nessa hora que Zé Inácio pensou: “Será que é mesmo meu número?”. Ele não sabia bulhufas de pintura, escultura, e outros gêneros das artes plásticas, para ele Picasso era motivo de piadas de mau gosto e Modigliani era nome de pizzaria.
Naquela noite não pintou nenhum olhar esperançador, nenhuma risadinha, nada... O mais provável é que ela nem o havia visto. Para variar o Zé no zero, de zero a zero mesmo.
No fim de semana seguinte quando abre seu Facebook lhe salta Maurício no chat:
- Você não gostou da diretora, a do museu?
- Claro!
- Pois é, vai rolar um coquetel da inauguração de uma exposição de Arte Moderna
lá no museu, você topa?
- Será? Não sei...
- Vai haver comes e bebes, e mulheres!
- Bom... vamos nessa e ver no que dá, nunca fui lá mesmo...
Maurício não era desses aficcionados em arte, mas que tinha a carteirinha de sócio do “CCC”, Comando Caça Coquetéis. Passou na casa de Zé Inácio às 20 horas e foram cair lá no museu. Ao simplesmente entrar, nosso protagonista ficou chocado, pois além de quadros, haviam umas instalações estranhas, um vaso sanitário pintado com palavras soltas escritas ao redor, uma parede cheia de pregos de distintos tamanhos, arames retorcidos com formas grotescas, bem diferentes do que ele havia pesquisado na internet sobre arte. Tinha visto fotos de estátuas gregas, de quadros Rembrandt e Van Gogh, nada a ver com aquilo.
Quando avistou Alícia, toda aquela parafernália (no conceito de Zé Inácio) se tornou pano de fundo. Desta vez trajava um vestido azul, esvoaçante, na altura dos joelhos que lhe deixou encantando. Hoje parecia mais meiga em comparação as risadas que soltava no barzinho. Um disco de Chopin reverberava de fundo e tudo propiciava para um “bote”, romântico, claro. Ao vê-la sozinha diante de um quadro se apressou, se aproximou e comentou:
- Que expressivo, não?
- O contato da tinta intermediado pelo pincel me provoca sensações diversas - Respondeu a moça.
- Eu também fiquei emocionado com as cores fortes – se arriscava Zé Inácio.
Ela caminhou e mudou de posição enfrentando-se a uma parede onde havia uma escultura feita de sucata. Zé Inácio relaxou e soltou seu verbo habitual:
- Esse aí assaltou um ferro velho! Hahaha – o velho bom humor de Zé.
Nesse instante Alicia de revesgueio lhe mira com seus olhos penetrantes por detrás daquela armação, com uma feição de poucos amigos, analisa de cima em baixo o rapaz, que em seu pensamento praguejava “que idiota, que burro, que cagada!”, até que rosto dela afrouxou e sorriu “ Não é que é mesmo!”.
Foi a glória de Zé, ela quebrou o gelo e até se interessou pelos assuntos fisioterapêuticos do rapaz, ela adorava uma massagem e ele era especialista!
Foi se embora o zero a zero oficializando o namoro. Resulta que os dois tinham mais coisas em comum que se arriscaria Maurício, aquele que facilitara o processo apesar de não ir muito com a cara de Alicia. No final descobriram os dois amigos que ela não era tão metida a intelectual e até era bem divertida, inclusive se arriscava na sinuca!(O Zé adorava uma sinuquinha).
Passado uns tempos da relação Zé Inácio se interessou mais por arte moderna, se identificando com alguns gêneros das artes plásticas como a escultura. Só que ainda não engole coisas estranhas como aquele vaso sanitário, aquilo para ele não é arte. O que ele gosta mesmo é da beleza, muito mais que da originalidade.

jueves, 15 de diciembre de 2011

Defendendo minhas manhãs

Ah, como me agradam as manhãs!
Não aquelas nas quais o despertar
Me é roubado pelo barulho bipante
De tais aparelhos acordadores.

Amo as manhãs em que tudo
Vem sorrateiramente, levanto-me
Com suavidade e sinto aquela
Sensação de que algo recomeça.

O sol vem brando e o ar fresco paira
e permeia um caminhar divangante,
e de certa forma meio atônito, característica
dos primeiros momentos do pós despertar.

Percebo então, que prezarei por ter as manhãs
Como tais que aprecio. Na medida em eu que puder,
cada vez mais, escolher como serão meus dias,
Terei todas as manhãs para mim.

Que me roubem as tardes, quem sabe também as noites,
Mas com as manhãs serei tão brusco
Quanto me é suave este despertar
Que não preciso controlar ou decidir quando virá.

Dentro da sala de aula

Não consigo mais ficar aqui,
Mas ainda permaneço.

Estático de corpo, mas em pleno fluxo
dinâmico na mente que não quer cessar
de infinitamente arquitetar uma peripécia
que permita preencher esta lacuna
entre minha atitude e meu pensamento
que me faz incongruente com o que é meu eu
clamando por outro ambiente...
Então saio.

miércoles, 14 de diciembre de 2011

Poetas vivos!

A arte não é para as gavetas.
A expressão se dá diante das pessoas.
É esta a proposta do artista, da arte:
Troca.

A música melhor transmite,
Na dança verdade se faz,
Poesia sensação irrefutável:
“Sentiu, tá sentido”.

A escultura não necessita explicação,
Simplesmente é.
Não é como a ciência
Que necessita muita estatística.
No teatro cada um é,
Sente, compreende a sua maneira.

Aos artistas insisto,
Traigam a arte não só
para o seu cotidiano,
mas para a vida
das pessoas que te rodeiam.
É a melhor maneira
de transformar com riqueza:
Ser arte.


Não passarão ilesos
Da tua mensagem.
Talvez esqueçam o contorno
Da sua face,
Mas perpetuado estarás.
Artista de ação agora.

Xô, poesia póstuma!
Poetas vivos!

Elixir de Ceridwen

Oh, Deusa Ceridwen!
Tu que transformaste
O meu passado.

Abandonar o casulo
E desatar a amarra
Demanda energia
Que se processa como
As águas do seu caldeirão.
Desse fluxo circular multifacetado
Brotará o néctar da passagem.

Gole a gole engulo gota
Do elixir que preparaste
A partir dos ingredientes meus.

Só, porém, muito bem acompanhado.
Os inimigos que insitem em ter inveja,
Discórdia e o monólogo simples-mente
Não desafiarei, seguirei em busca do bem.
A guerra e a paz escolhas são.


Conflito no intuito de pacificar.
Conflito por conflito ou para provar
quem é o melhor não tenho tempo.

Inesgotável é o caminho,
Não necessito ir ao mesmo lugar
Todos os dias.

Tempo é valor,
Valorizo flor.
Pétala lá,
Conduzirá-me o perfume.

Quero mais é deitar na grama verde,
Banho de mar, cachoeira.
Dar beijos nas meninas,
Alimentar bem,
Trocar-dialogar,
E dançar... neste momento!