miércoles, 7 de diciembre de 2011
A multa que nunca chegou (mas deu dor de cabeça)
Do homem da lei conferindo
A placa do meu carro,
E pela janela praguejando:
“- Estás denotificado”.
Falhei, bem sei, avancei depois
de um silvo estridente e um sinal
de mão aberta em pare.
Na verdade, nem mudei o ritmo,
Segui e percebi a falha.
Maldito vislumbre de esquecimento
Que roubou meus pensamentos,
E quando dei por mim
Já habia infringido.
Voltei a casa e busquei
O que tinha esquecido.
Passei pela mesma rua
E o seu guarda me reconheceu.
Só senti um bafo na orelha:
“-Estás denotificado, tá?”.
Quero mesmo é esquecer tal fato
Que não me levará a lugar algum.
Tenho mais o que fazer.
martes, 6 de diciembre de 2011
Superando a frustração
Justo tu que me adoras.
O fato de eu querer beijar teus lábios soa mal?
No dualismo nosso, sempre houve
o toque de pele, o sabor do olfato,
e o paladar aguçado.
Negas isso?
Justificativas e explicações,
palavras e a força da razão
não me interessam quando murcham
a flor do sentimento.
Que a razão e a emoção
Caminhem entrelaçados.
Não pretendo desatar o nó do teu não,
trago sim minha expressão:
Uma estranheza pela maneira como reagiste.
O beijo nos lábios nem é
Tão importante diante do momento
De discórdia que passamos.
Para mim, beijar-te significa
canalização dos carinhos,
do amor que emana do meu ser,
por tanto nada mudaria na nossa relação,
pois essa troca já se dá,
tu respondes aos meus toques,
e me tocas com
o odor dos seus gestos.
Porém hoje o que aconteceu hoje
me entristeceu o corpo ardente.
Já pensei em negar meu carinho,
mas cultuo o amor no meu ser,
me negarei ao ódio,
esse sim não me aprecia.
Evapore então essa ferida no meu ego!
Cultivarei o amor próprio e a beleza!
Que eu caminhe com quem
compartilha as mesmas rotas.
Voz interna eu cultivo novamente:
Nem vou alimentar a discórdia e a guerra.
A paz é de dentro para fora,
contribuo para a energia que me retorna.
É por isso que fiquei ferido,
por não receber o que doei.
Doei amor e recebi negação.
Vislumbre salta aos olhos!!!
Passar dessa barreira
é o que me fará crescer.
Claro!
Nesse momento transcendo,
desconstruo todo o muro
que na face me esmagava o nariz.
Começo a pairar na leveza...
Posso até mudar de questão.
lunes, 5 de diciembre de 2011
Você tem tempo?
Tempo para jogar conversa fora?
Foi-se esse tempo.
O movimento do relógio
Dessincronizado aos meus passos,
E o peito arde.
Doze horas a tontear barata.
Ricocheteio perdido
Em direção ao encontro.
Me vejo lá de longe,
Sou capaz de acenar,
Abanar a mão no ar,
Chamar e nada...
Fragmentação a olhos claros e cegos.
Sou ainda vivente na
Idade capaz de sorrir,
Refrescar meu corpo em águas,
Beijar lábios e fragrâncias.
Pr´os amigos ainda tenho tempo,
Para as moças bonitas também,
Para ler bons livros tenho tido
Menos tempo, mas prezo.
Agora, bem neste momento,
Consigo respirar macio.
Até a espuma que recobre
O dourado líquido faz presença fresca.
Suave idade é o vento
Que me bate a face.
Todos os sentidos
precisam estar aguçados,
novas maneiras de explorar
o sentir e o prazer
Todo o corpo é orgasmo,
Basta caminhar na ardente presença.
Estressar o coração não mais,
Não quero desperdiçar meu tempo
Vale mais que dinheiro, o tempo.
domingo, 4 de diciembre de 2011
Partindo do nada
E você, distraído, não vai perceber.
A palavra da boca vai voar
Para o lugar onde não há saber.
Parei, fiquei enraizado em anos passados,
Ainda não sei o que me atraiu.
Talvez me lembre de sentir os lábios tocados,
Foi uma flecha que meu peito atingiu.
Os aviões vem e vão do aeroporto
E meus olhos confusos cada vez miram mais torto.
Um mundo tão pequeno e cheio de ilusões,
Eu descabelado e leve no vento ventado dos aviões.
Atenção passageiros com destino ao nada,
Apertem bem os cintos que ninguém sabe o que vai acontecer,
Nem me ocupe todo espaço aí parado na parada,
A água corre, voam os pássaros
E logo chega a primavera de viver.
Feminino e masculino
Mas também conheço o passado.
Agora é que são elas?
Posse é mulher,
Dona é a mulher.
E eles? Instrumentos delas!
O olfato é deles, o perfume é delas
A guerra é deles, o motivo são elas.
Os rumos da Nação traçados por eles,
Para saciar os desejos delas
O terreno é dele, a casa é dele
Mas tudo é pra ela.
Homens mandando? Não!
Co-mandando, quem manda são elas.
A verdadeira lei é a ação moral.
Quem fiscaliza a moral? Elas.
Porque agradar a moral?
Para agradá-las.
A seleção da rainha é competição natural
Onde o poder se estabelece.
Beleza é argumento,
É política.
Política.?! Sexual.
(...)
Limpeza é feminino,
É a preparação do ninho,
Feminino é acolher, receber,
Envolver, é vulva.
Prepara o ambiente para o ritual de cópula.
Masculino é semente, semeador.
Vê de fora e acompanha o brotamento,
Cataliza o processo.
Masculinos é olhos, contrastes.
Feminino é ouvidos, integração
Competição é feminino.
Equipe é masculino.
Tarefas gloriosas
Aperte tecla, gira manivela,
Pressione botão e espera a sirene da confirmação.
Agora repita esse processo
Durante oito horas por dia.
Isso é que é vida!
Programação de humanos
para determinadas tarefas gloriosas.
Como é bela a fama!
Como é que era a célebre frase
Daquele afortunado pensador
Que obteve a elevação nos pedestais humanos?
Não lembro...
O que eu queria era ser famoso,
Aparecer no Faustão e chorar
Diante das telinhas Fantásticas,
E trocar ótimas idéias com aquele
Gordinho que conversa a meia-noite.
Como é linda a celebridade,
Essa coisa potente de ser amado
E ter seu nome gritado por platéias
Que insandescidas se arrebanham.
Até o sonho está impregnado
De futilidades peçonhetas que
Dominam um coletivo refletir.
Vê se inventa algo engrandescente,
Sai da norma para encontrar
A ausência do sujeito,
Desapropria do eu!
Ai, Larissa...
Ai, Larissa...
Este olhar por muito me eriça,
Os pelos desse meu corpo apontados, pontudos.
Foi um esforço romper com esta distância
Que de tão perto cria um etéreo vazio.
Desenho-me nesta linguagem,
Invenção de mim mesmo.
Quero mostrar-me belo e forte,
A minha ética é a própria estética.
Aspiro tocar meus lábios nesta tua pele
Tão branquinha e leve,
este rosto traçado e belo encanta de magia
os sonhos deste que proto-agoniza.
A emoção é moção, te adorar movimenta
A mente, a vida como um todo reverbera.
Fluxo polifacetado que bate
no peito um tambor, couro ritmizado.
Ah... quanta poesia me despertas,
Deixo de ser apenas um qualquer,
Me transformo para conquistar teu carinho,
Brota do todo essa completa expressão.
Ai Larissa que me atiça a viver
A beleza que remonta a ética.
Esse só serve se for para banhar-te
E encharcar-me no colo teu.
Ai, Larissa...