jueves, 21 de noviembre de 2013

Toma lá, da cá!

Ingratidão, é isso que sinto.
Falta de respeito se responde com veias!
Brigo no calor da peleja,
Escarro na boca que beija.

Devo ser um ingrato também...

Agradece-se com atos, não com palavras.
Eu falho, erro, me equivoco,
Mas já sou capaz de aceitar.

Consertar erros com erros aparece usual.
Buscar vitórias através de rasteiras,
Ou derrubar o adversário para vencer
Já alcançou títulos históricos.

Eu prefiro a glória, perdoem-me,
Podem ficar com a decadência pra vocês.

Não posso deixar de simplesmente não errar.
Queria mudar isso, essa condição...

Melhorar ainda posso, em limitados aspectos.
Falharei no que mais conheço.
A dose exagerada, a ofensa seca,
A mentira, o desliz técnico, as impossibilidades.

Jogar limpo nem sempre me valeu,
Me pisaram e se puseram a rir.

Apanho, mas também dou.

miércoles, 20 de noviembre de 2013

Continuo gostando da dádiva

É imperfeito, lhe falta algo…
Não sei bem onde, mas falta...

Talvez um pouco de humanidade,
Uma pitada de irracionalidade,
Duas ou três equivocações,
Ações e interações caóticas das moléculas.

Bem, se penso que cada átomo
 está colidindo e se combinando eletronicamente
e que todos esse movimentos são incomensuráveis,
começo a aceitar que erro, que a natureza erra.
Não são erros, são multicombinações que
Aparecem desarmônicas segundo o ponto de vista.

Eu quero ter uma namorada linda,
Um carro bem equipado, uma casa modernosa,
Sempre gostei de estátuas gregas e
Como tantos admirei o coração de Jesus.

E se não der certo? Terá que ser uma feia mesmo?
Talvez eu não seja perfeito o suficiente para casar ou procriar?
Serei mesmo imperfeito?

Vou seguir vivendo. Me sobram alguns quilos,
Me faltam alguns fios de cabelo na cabeça,
Continuo gostando da vida, da dádiva,
Até gosto das minhas burrices, já não quero ser gênio.


O que não quero é morrer, mas deve ser bom também.

lunes, 18 de noviembre de 2013

A salvo entre os lobos(mas não deixo de te contemplar)

Tu és tão racional que necessitas dançar,
Por isso que quando quero te encontrar,
Vago pelas noites onde os corpos se desatam.

Tua maneira inefável de racionalizar se dissolve em
Álcool e groovie, num remexer extasiante para os
Que, sedentos de prazer, te observam estupefados.

Quero ver teu corpo bailar,
Como se não houvesse amanhã,
Como se seus movimentos
 me provessem alimento.
Quero que esse seja meu pão!

Tua sombra é o que vejo
Quando há luz no meu pensamento.
No contraste encontro-te
E rastejo sobre tuas pegadas.

Quando tive a felicidade de te esquecer,
Me ver livre de tua influência,
Deste poema que é o teu verbalizar,
Eis que surges, gata noturna,
E me crava os dentes!

Eu prefiro continuar vivendo entre os lobos
Que baixo o manto das tuas unhas!
Tens mais perigo que toda a matilha que
Rodeia meus singelos e sóbrios passos!

Fujo de ti, já não quero te seguir,
Mas mantenho uma certa distância
Que me permita te contemplar.

martes, 22 de octubre de 2013

Modão Sertanejo


Quem me vê aquí na cidade
Mal sabe o que já passei,
Me lembro da gabiroba
Nas pastagens pra se colher.

A fogueira de São João
Que corria por cima da gente,
E os bambus no meio dela
Explodindo flamenjantes.

As espigas do milharal
De suco doce e maduro,
Que as “muié” faziam bolo,
A pamonha e o curau.

Já estive lá na roça
Nos tempos de pequenininho,
Lá pras bandas de Goiás
Fui criado e fui nascido.

Vi peão que é “bão” no laço
Gaúcho dançando a chula,
Já montei novilho bravo,
No barro com a cara eu dei.

Vi Baiano sorridente,
Arretado na pimenta,
E mineiro chegado nas plantas,
Tratado a base de raiz.

Vi esse Brasil tão lindo,
Vi um povo que é feliz!

De leste oeste de norte a sul
O Brasil é me lugar,
Seja aqui no meu cerrado
Ou de frente para o mar.

E aqui vejo um país
Que quer brotar semente nova,
Juventude que tem luta
Pra ver tudo se mudar.

Politicagem tá danada,
Não confio neles não,
Minha luta é pela folia,
Pela dança no salão.

Vou fazendo a despedida
Já deixando essa mensagem,
Deixo um beijo para todos,

Antes cedo do que tarde.

martes, 18 de junio de 2013

Com o apoio dos idosos e das crianças essa manifestação vai pra frente!

“Vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer”


Dia 17 de Junho de 2013 já ficou para a história, foi emocionante ver como um movimento que começou pelo aumento das passagens de ônibus se transformou na força que reivindica todas as causas do povo brasileiro. Confesso que a princípio fiquei irritado com a truculência que houve nos primeiros dias, tanto da polícia quanto dos manifestantes, e cheguei a pensar que não passava de mais umas palavras de ordem da esquerda radical brasileira, mas não. Foi lindo de ver, pessoas de todas as idades gritando por tudo que o Brasil precisa e como precisa de mudanças radicais!

Para mim faltava o apoio das crianças e dos idosos para eu entrar com toda minha juventude nessa manifestação, e para minha alegre surpresa aconteceu. O Brasil é lindo demais para viver sob o manto institucionalizado da corrupção, não dá mais!

A saúde e a educação nesse país são uma vergonha, só perdendo pra corrupção e pra impunidade!


Não deixo de expressar o meu repúdio aos vândalos e baderneiros que tentam tirar a credibilidade das manifestações, somos um povo civilizado e pacífico, esse é o maior tapa que devemos dar na cara dos políticos do país. 

jueves, 16 de mayo de 2013

A manhã do internauta


 Toca o celular,
são acordes de piano a ressoar.
É o despertador,
Que vem sorrateiro a me acordar.

Enquanto esquento a água do café,
Vou abrindo meu email no smartphone
E algumas notificações no feicebuque,
Esse é meu jornal matinal, desjejum.

Meu amigo de Porto Alegre publicou
fotos do seu filhinho na minha timeline.
Mis amigos de España me dijeron,
Que se me echa de menos por allá.

Pronto já terminei de tomar o café,
posso abrir meu notebook,
e começar a rotina de navegar,
sites de notícia e quem sabe chatear.

Não fico chateado não,
pelo contrário, estou contente,
falo com todo mundo,
sou um amálgama de tudo.

E assim passo os dias,
plugado a balançar na rede,
do Iphone pro computador,
entre links e navegador,
flutuando entre bits e bytes.







lunes, 22 de abril de 2013

Troféu em campo, jejum no amor.



Era domingo e lá estavam todos só contando os minutos, afinal era o clássico. Ainda nem eram 4 da tarde e a cerveja gelada corria solta, a carne minguando na churrasqueira e o rádio anunciando a escalação do Piraporinha contra  Monte Colina. Todo o estado se agitava para o duelo mais importante da região, ainda por cima era decisão, a finalíssima!
Melissa era Piraporinha roxa, batia no peito e se engraçava ao falar do camisa 10 “um gato, olha que par de coxas”. E não é que o marido era montense desde pequenininho, com tradição familiar e tudo mais que manda o figurino dos aficcionados de carteirinha.
Na noite anterior, véspera do jogo, o clima em casa já não era dos melhores. Ela tinha escutado o marido falando ao telefone com um amigo “ vai ser uma lavada, a melhor campanha é nossa, mas não queremos empate, pra cima deles é o nosso jogo!” Assim, sem perceber, Pablo já estava causando a “dor de cabeça” da esposa na noite de sábado.

 - Mas hoje é sábado Melissa, nossa noite – se queixava Pablo.
 - Não, é não, minha cabeça tá doendo, ora bolas! – a moça não deu margem ao rival.   

Na manhã de domingo os dois já vestiram o uniforme de seu respectivo time desde cedo e no café já surgiram as primeiras provocações:

- Ih, lá vem o outro com esse trapo mal lavado, estamos precisando de pano de chão, meu amor. Eita timinho feio, um bando de peladeiros! -  Melissa atacava.
- Hahaha, é tanto medo assim, meu bem. Cuidado, hein? Prepara o GPS que vocês vão perder até o rumo de casa – o marido sabia se defender.

Na hora do almoço foi chegando a rapaziada, o quórum já tinha sido negociado, dois torcedores pra cada lado. Cidinha e Manuel, eram ambos montenses, já o Cléber e o Hamiltão eram Piraporinha. Melissa já tinha preparado as bandeirinhas,  seu brincos com o escudo do time e o anel da sorte. Toda decisão que o Piraporinha chegava e ela assistia o jogo com o anel no dedo médio da mão direita era batata, caneco pra casa! Hamiltão manuseava o espeto com a fraldinha no ponto, cortava uma lasca e tratava de suas estatísticas:
- No confronto direto, em finais, o Piraporinha leva vantagem.
- Viu só Pablo? Já te falei mil vezes, são 15 vitórías pro Piraporinha,  10 pro Monte Colina, vocês são fregueses! Melissa demonstrava dados e não gostava de intrigas da oposição.
- Hahahaha, onde você conseguiu esses números? No Wikipedia? Só pode ser, esse números são um disparate, nada a ver com a realidade! Pablo cutucava mesmo se sabendo errado, só pra provocar a esposa-rival.


Aos 35 do primeiro tempo os ânimos se aqueceram ao máximo, um a um marcava o placar e um pênalti pra lá de duvidoso foi assinalado na área do Piraporinha. Melissa soltando fumaça pelas narinas xingava até terceira geração da família do árbitro. E não é que o Adaílson, camisa 11 do Monte Colina converteu com um chute rasteiro, goleiro prum lado, bola pro outro,  armando o delírio da torcida montense. Os três torcedores do Piraporinha ficaram de bico calado até o final da primeira tempo...

No segundo tempo vieram as primeiras alterações que surtiram efeito e o Piraporinha vinha pra cima, atacando pelas pontas e gerando muito perigo nos cruzamentos e escanteios, mas Pedro Ceará, o goleiro do Monte Colina, vivia um momento de grande inspiração, fazendo duas defesas espetaculares. Nem o bonitão camisa 10 do Piraporinha agradou a fã número 1, foi subsituído aos 27 do segundo tempo debaixo das vaias de Melissa:
- Já foi tarde pipoqueiro! Tira onda de Cristiano Ronaldo, mas só joga bolinha de sabão! Melissa era implacável quando o time não rendia.
Subia o Piraporinha pela ponta direita, Marinho toca pra Kleberson, que lança uma bola longa pra Valtinho que faz um cruzamento na pequena área nas mão do goleirão Pedro Ceará. Sem nem mais esperar o guarda metas dá um balão e encontra o atacante Adaílson no mano a mano com o zagueiro, depois de uma magistral canetinha fica cara a cara com a meta e toca na saída do goleiro. Goooooool! Pablo se abraçava com seus companheiros que pulavam já gritando “É Campeão” sem deixar de zombar da rival que olhava o marido com sangue nos olhos.
Final de jogo para a alegria dos montenses. Mais um título para celebrar, a volta olímpica dos jogadores,  até uma sidra, daquelas de fim de ano, os campeões estouraram para a grande irritação da anfitriã que não abandonava a cara de poucos amigos:

- Não quero saber dessa  champanhe barata molhando meu estofado, vão comemorar pra lá, cambada!  
Pablo estava tão contente que mal sabia do jejum de títulos que acabava de conquistar com a esposa por muitas noites de clássicos de amor até a próxima temporada.